Discurso Presidenta e Atas.
Senhoras e Senhores Vereadores,
Caros Munícipes,
Assinalamos hoje mais um aniversário do 25 de Abril de 1974 — 52 anos de um momento que marcou profundamente a história de Portugal.
O 25 de Abril representa, antes de mais, o fim de um regime fechado e o início de um caminho de liberdade política. Trouxe consigo o direito de votar, de opinar, de participar na vida pública — direitos que hoje consideramos essenciais e inquestionáveis.
Mas, passadas mais de cinco décadas, é nosso dever olhar para Abril com sentido crítico, responsabilidade e, acima de tudo, com verdade.
A liberdade conquistada em 1974 não pode ser vista como um ponto final na história, nem pode ser apropriada por uma única visão ideológica. Abril não pertence a partidos, nem a narrativas únicas — pertence a todos os portugueses.
E é precisamente por respeito a essa liberdade que devemos reconhecer que nem tudo o que foi feito em nome de Abril serviu o país da melhor forma. Houve excessos, houve radicalismos, houve decisões que fragilizaram a economia, afastaram investimento e criaram dependências que ainda hoje se fazem sentir.
Hoje, Portugal enfrenta problemas sérios: salários baixos, jovens a emigrar, dificuldades no acesso à habitação, insegurança crescente em algumas comunidades e uma sensação generalizada de que o Estado falha onde mais devia proteger.
Perguntamos: é este o cumprimento pleno do espírito de Abril?
A liberdade não se esgota no direito de votar. A verdadeira liberdade exige autoridade do Estado, segurança nas ruas, justiça que funcione, serviços públicos eficazes e oportunidades reais para quem trabalha.
Enquanto Presidente desta Câmara Municipal, afirmo com clareza: o nosso compromisso não é com leituras ideológicas do passado, mas com respostas concretas no presente.
Honrar o 25 de Abril é garantir que o poder político serve os cidadãos com transparência, rigor e responsabilidade. É combater o desperdício, a corrupção e a ineficiência. É devolver confiança às instituições.
É também defender Portugal, a sua identidade, a sua soberania e a dignidade de quem cá vive e trabalha.
Precisamos de um país onde o mérito seja valorizado, onde a lei seja respeitada e onde o Estado cumpra o seu papel sem excessos nem falhas.
Senhoras e Senhores,
Mais do que celebrar datas, importa dar conteúdo à liberdade. Importa fazer com que cada português sinta, no seu dia-a-dia, que vive num país justo, seguro e com futuro.
Esse é o verdadeiro desafio que temos pela frente.
Assim, evocamos o 25 de Abril com respeito pela história, mas com os olhos postos no futuro — um futuro que exige coragem, mudança e responsabilidade.
Viva Portugal.
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